O processo do fazer e do pensar natural




Querido Diário,



Desapego...

São 370 postagens não publicadas e até o momento não há em mim nenhuma vontade de publica-las aqui ou em outro lugar qualquer. Perdi o interesse em divulgar coisas sobre mim a bastante tempo e, aos poucos eu vou me desapegando desse blog tão querido também. 

O bom  é que tenho interesse cada vez maior em reativar  o blog craft  
e esse meu fazer, pensar e agir wabi-sabi.

Pressa de Ser...

Publiquei poucas fotos de meus trabalhos nos último anos. 
Inspirada por morar na península de Bombinhas, fiz muitas peças com o tema marinho, como a bicharada do oceano (a última publicação foi em 2012!!) as corujas buraqueirasmandalas nas cores desse mar e dessa natureza que me cercou cotidianamente por tantos anos. E foram tantos os presentes e os pedidos, as "costurices dessa coizarada toda" e tão poucos registros nestes últimos anos, uma pena... 

Revendo o caminho...

A busca por tecidos de algodão orgânico e seda natural, as cardas e tingimentos naturais que fiz, a caça sem fim para encontrar o fio de linho perfeito, o novelo de algodão ideal,  a palmeira que me dava material para produzir peças lindas no tear, a bananeira que me dava bolsa.  

Imagens de tudo que fiz estão guardadas em minha mente, ainda bem. E quando volto para Bombinhas eu reencontro tudo isso a disposição! ahhhhh, essa natureza e generosidade que não falha nunca.

A mudança... 

São Paulo é intenso mas inspirador. Os estudos de conservação e restauro, o trabalho no Espaço Amarelo e Museu Xingu, os artistas de diversas áreas que estão sempre presentes, a vibe cultural que em SP está em cada esquina, uma cidade que se humaniza com lentidão mas de forma bastante interessante pra mim.

O tempo...

É por essas e outras que a cada dia tenho me provocado a ter mais tempo e fazer esse reencontro com a tecelã, a desenhista, a escultora, a bordadeira, a costureira, a crocheteira, a restauradora, a xilógrafa e outras tantas que em mim habitam. E cada vez tenho mais vontade para ativar a publicações do blog  Véia da Teia

Bem, era isso que tinha pra dizer por aqui. Então, tá dito.







o fio 


a bananeira que me dava bolsas


niquelaria de algodão orgânico

Lã Merino


desenhos em nanquim



pigmentos naturais  - policromia de madeira

xilogravura

essa foi pra "loxinha" da Marina



pequenas pausas

Vim, porque, às vezes, é isso que eu faço: venho pra cá. E apesar dessa distância entre São Paulo e Santa Catarina, eu finjo que ela não existe, finjo que é rápido e alcançável quando quero.

Aqui os passarinhos são mais felizes e me recebem em euforia como se a minha chegada fosse sempre especial, aqui os cachorros de rua são blasées, amigáveis, felizes como... como cachorros felizes devem ser.

Vim visitar os amigos que me abraçam como se eu estivesse sempre aqui, não falam da distância, não se comovem por pouca coisa, fazem perguntas gerais e específicas,  ajustam meu casaco ao corpo, colocam meu cabelo pra trás da orelha, quando me abraçam falam do meu perfume...

O ar cheira a peixe assado.

H. faz uma caipirinha de limão da terra que acabou de pegar no quintal, tempera o peixe com zimbro, coloca flores que colheu do jardim nos pequenos vasos espalhados pela casa.

Como é bom estar em casa, a casa que viu em sonhos tantas vezes, a casa que rabiscamos na areia, depois vi traçada na tela no computador e não entendi... depois uma parede após outra, a terra, as árvores a grama as orquídeas os bichos, o pé de maracujá, a bananeira...

Uma pessoa deva estar preparada pra tudo nesta vida, até pra ser feliz. Mesmo que seja momentâneo, mesmo que seja aqui e agora.

O jantar quase silencioso, nem tão silencioso que fique esquisito, mas também sem conversas bobas por falta de assunto.

Eu sou este ser terrivelmente comum e vão, cabelo sempre bagunçado, unhas lascadas e curtas, comentários engraçados sobre coisas impensadas, julgamentos tortos, a casa sempre semi-organizada, a pilha de livros, as roupas espalhadas.

Sentada com as pernas enroladas debaixo de mim num sofá enorme de frente para a varanda de cortinas brancas e esvoaçastes, daqui ouço os passarinhos, o vento, às vezes a gata passa apressada atendendo ao som que só ela e outros gatos ouvem.

Viro a página do livro, anoto algo no iphone, escrevo uma coisinha. Vivo neste mundo de definições e sou intrinsecamente, não definida, minha vida e eu.

As folhas das árvores que se agitam, a cama de lençóis brancos, travesseiros altos... respiro profundamente, respiro fundo...

Na madrugada a janela aberta traz um cheiro de mar...
não há planos por aqui, porque somos indefinidos e gostamos de ser assim, quando estamos aqui, gostamos assim.