morar numa cabana


o que eu faço quando chego em Bombinhas é abrir todas as janelas pra deixar o vento marinho entrar, não importa se tem chuva, sol ou frio, tudo aberto, pulsando

a praia no inverno é boa meu povo, juro! azul, verde, branco,  mesmo de bota com meia, cachecol e óculos, bicicleta, uma gente aqui outra por ali se aventurando na água gelada

encontrar ozamigo tomando sol, desplugados de computadores, desligados de relógios, gente nenhuma com celular, vestidos com a melhor roupa rota que encontraram no armário

e tem pose de yoga, tem cachorro correndo atrás de pedaço de pau, pescador de olho nas tainhas, 
sol na cara desprotegida de protetor solar

tem presente do mar, e aquela sensação boa de que uma coisa foi feita exatamente para outra né Marina e Ale?

é a gente se vendo de fora, leve, leve

apesar de céu e mar enormes, a gente não se sente oprimido ou insignificante,  a gente se sente feliz e livre, e tem essa sensação de pertencimento

e a varanda gente? o quanto é importante uma varanda na vida da gente, hã?

limão? tem que ser do pé do vizinho, tem que ter cor de laranja, muito sumo pra regar aquele peixe fresco, fazer aquele copo enorme de caipirinha

banho de mar e banho de sol em pleno inverno do sul, rolou mesmo!
 
(eu já tinha uns 14, 15 anos e já sonhava com a tal cabana na praia, é meu amigo, os sonhos se fazem lá no fundo, devagar, bem devagarinho)

e se tem uma cirurgia no meio... e dai? quem liga? vai lá! corta, costura e volta pra casa. 
dorme uns dois dias direto, toma mel com leite e pronto, porque não dá pra sentir dor, ficar chata e feia tudo junto

e a tv? bom para tirar vários cochilos

jogo do curintã? esse foi melhor não assistir, não convém para uma recém operada

as frutas nesta época do ano aqui na cabana, são servidas assadas, com sorvete, regadas com calda quente em grandes potes de loiça branca

férias no mês de julho na praia é uma solidão programada para dar certo, tem filme, livro, costuras, pensamentos, projetos que só dá pra fazer sozinha, durante uns 15 dias, depois disso quem quiser vir, será bem vindo

e teve essa tal UFC ou MMA? e enquanto eu fingia não ver, paf! a luta terminou, com um convite para o churrasco na casa do anderson silva

tem banhos longos de chuveiro a gás, comida de cuia pra comer a colheradas 

algumas garrafas de vinho, 
um par de tênis para as longas caminhadas, 
cachecol de retalhos de camisa, a mesma canga de sentar, que vira bolsa, carregador de conchas do mar, sacola de frutas e flores roubadas...








Um comentário:

Bia F. Carunchio disse...

Que texto mais lindo e delicado!! Me passou uma paz tão grande, uma certeza de que algum dia também vou viver numa cabana charmosinha em algum lugar tranquilo, algum lugar que de a sensação de pertencer... ou pelo menos ajeitar um lugar assim para finais de semana revigorantes. Como você escreveu, um sonho antigo daqueles que se fazem lá no fundo, beeem devagarinho...