quando foi mesmo a última vez

que a gente se prometeu que ia se ver mais, que a gente não ia ficar tanto tempo distante, que ia sim sobrar tempo pro abraço longo, uma cerveja gelada, um silencioso harmonioso enquanto você acende um cigarro, enquanto eu olho ao redor. Quando foi mesmo a última vez que a gente se prometeu vencer mais a distância? 


Ainda que isso não aconteça como nos prometemos, eu tenho te levado a lugares por ai...


Hoje mesmo enquanto comprava um metro de cambrai de algodão, eu te perguntava - achas que desse pano faço uma saída de banho ou um camisa mais arrumada-romântica?
e tu indo e rindo.... - quero te ver linda na praia!


Almoçei no centro histórico, mesma mesa e garçon, mas outros perfumes e paladares, eu bem que te avisei que aquela seria a nossa última vez por ali, perdeu tanto o encanto esse lugar... Agora, só mesmo nos butecos dentro do mercado, junto da banca de peixe e ervas, ali sim, entre aromas e o passar do povo é, divertido. Me lembra na próxima vez que você vier, quero te levar.


Os dias tem sido assim, vou me dando conta que as dores de meu coração são além da categoria médica-farmacêutica, que os remédios aliviam o problema mas nem chegam perto da causa. Será assim, sempre?! "de repente a gente se da conta que já está dentro do que nem suspeitava". O coração aperta, bate aquela angústia, e a gente vai no médico e se enche de vitamina, e dorme mal e acorda distraida e tudo ao redor permanece o mesmo, mas e essa dobra, essa curva, que cada vez fica mais difícil de fazer, hum?


Sim eu sei, existir é incompreensível e delicioso, mas em doses  muitas vezes tão desiguais...


Meu chocolate de marzipã acabou, vou entrando no inferno astral, o sol tem me aquecido mais, meus pensamentos andam curtos e as ações urgentes, onde estão os dias que a vida parece que está mais lenta e a gente acha que está no comando? algumas novas músicas, uns sonhos loucos que tive noutro dia me fizeram pensar tanto, tanto. 




fico por aqui pensando num trecho da entrevista que Caetano Veloso deu:


"... isso que chamamos de amor, esse lugar confuso entre o sexo e a organização familiar..."  

3 comentários:

Vanessa Maurer disse...

Isso tudo e mais um pouco... beijos

Riva disse...

A saudade é um bichinho danado, que roe, roe o coração...
Isso é letra de música, não lembro de quem.

Heloisa disse...

Adoro visitar blogs.
Vemos que não estamos sòzinhos nem nos prazeres nem nas angústias...
bjs