pra mim hereditário é o abraço

Minha bisavó reclamava que minha avó era muito tímida
Minha avó pressionou a minha mãe a ser bem lúcida
minha mãe me lembrava sempre de ser mais densa

Eu espero que minhas sobrinhas e minha enteada fujam desse cárcere
que  é passar a vida transferindo dívida.
 ...
(daí pensei, dessas pensadas que a gente pensa enquanto estamos escovando os dentes, enquanto tomamos  banho e juntos tomamos “grandes decisões”)

"pensei: e se a gente esquecesse tudo isso, isso de querer ser e querer que o outro seja, ou não seja, mais melhor menos, se a gente só amasse, imagina?
e se a gente enquanto amasse, abraçasse?
e no abraço  apenas amor sem pensamento?
imagina que o outro e a gente só herdaria abraço então?
e na hora da alegria e da dor a gente só lembrasse do abraço e do amor
e esqueceria de todas as bobagens, de tentar ser forte tentar ser feliz, esqueceria aquele voz chata interna  aquela..."eu não avisei"?

daí a poesia seria assim:

"Minha bisavó nunca reclamava que minha avó a abraçava
Minha avó pressionou a minha mãe a abraçar muito
minha mãe me lembrava sempre de dar abraço mais leve, mais doce

Eu espero que minhas sobrinhas e minha enteada não fujam desse cárcere
que  é passar a vida transferindo abraço."


ó que fim lindo! ;)


(era um comentário no post do Skiroba mas virou post no blog da véia)

pela inspiração de sempre, martha medeiros

2 comentários:

jacque disse...

Olá! Não é a primeira vez que passeio por aqui, mas deve ser a primeira vez que comento... Adoro o seu jeito de escrever!
E concordo plenamente com seu pensamento. Sou muito "abraçadeira" e tb espero que minha filha não deixe de abraçar nunca... :)
Abraços pra vc!
Jacque.

Véia da Teia disse...

pra ti abraços tb! ;-)