"Põe quanto tu és, no mínimo que fazes"...


Eu passo dias tentando criar com carinho e cuidado algumas poucas peças, esperando que as pessoas que as levem, tenham em suas mãos, um carinho um olhar novo e feliz diante da vida.

As cores que eu demoro pra escolher pensando em quem vai usa-las, que sensação boa estas devem passar, o cuidado que tenho em ambientar cada peça que confecciono, dar a ela identidade, calor, e um toque de alegria que é essa meninice boa que não me deixa nunca. O artesanato que eu faço busca um olhar sincero, honesto e simples diante da vida.

"Daí que de repente eu me vejo por 12 horas seguidas frente a frente à tudo que não quero que meu produto seja, a "coisa industrial", made-in-china, comprada em quilos, quantidades, adquiridas a qualquer preço e de qualquer maneira, consumida pela maioria, que tem como interesse fazer daqueles produtos mais dinheiro ou a "penchicha do ano",

tá querido diário, que o filófoso, já diz: ado ado ado, cada um no seu, com as suas necessidades...”

O real motivo que me levou a vivenciar aquelas 12 horas, tem causado em mim nestas últimas semanas, um efeito de mudança necessária em meu trabalho, e me fazendo até rir com certa dose de paciência e doçura de mim mesma, e a repensar o que quero, o que faço, o que está dentro da expectativa alheia, mas distante léguas de mim, e por que mesmo fazendo o que não acredito, cumpro o papel.

as respostas não estão distantes...

Aqui na pequena oficina, as voltas com meus trapinhos coloridos, com meu tear de dentes arregalados, minha máquina de costura impulsiva, e as minha agulhas de tricô e crochê que apontam pra um única direção, eu penso:

Quero e preciso fazer meu trabalho com o cuidado, o pensar manso, o menos que é mais, o sim e o sempre e amém.
Vender minhas próprias criaturas é bom, e que o dindin que elas possam me trazer, venham de fontes claras e que eu consiga ser uma pessoa produtiva, alegre, que eu saiba olhar a minha volta todo dia e encontrar sempre motivo pra fazer alguém safisfeito e feliz e a mim mesma também, que meu propósito e minha intenção sejam claros e que essa seja a marca do meu produto.


“Para ser grande, sê inteiro;

nada teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa,

põe quanto és no mínimo que fazes.

Assim, em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive.”

fernando pessoa

4 comentários:

Márcia - maricotinha disse...

adorei seu texto véinha! Hoje mesmo estava refletindo sobre o quanto as coisas que são feitas com o coração valem muito mais a pena. E isso é o que me dá mais forças pra seguir em frente: saber que tem muita gente por aí que também pensa como nós :)
bjs ;)

Mauricio Musa disse...

Quanta ternura neste texto...
Anos luz do capitalismo selvagem...
Esse é a forma ideal de trabalho e de vida.
Legal essa sua preocupação com teus compradores, essa visualização do que a pessoa vai sentir quando adquirir alguma coisa...
É bom que existam produções industrializadas por 2 motivos... Às vezes é o mais rápido pra se achar algo que necessitamos urgentemente...( e só necessitamos urgentemente pq vivemos igualmente urgentemente) e o outro motivo é que nos faz valorizar pessoas como você, que não vê o cliênte como um sifrão, e sim como uma pessoa com sensibilidade pra comprar algo feito com carinho e dedicação...

Anônimo disse...

Assim que vi este teu post, me apaixonei por teu blog, querida "véia". Criar algo bonito e com carinho para alguém que a gente nem conhece ainda, e poder viver disso, é muito bom. Espero, um dia ter esta tranquilidade e felicidade que me passas.
Um beijo!
Maria Alice
@malicemiller

Josué de Maria disse...

Parabéns teu blog é LINDO!