querido diário,

sexta feira foi de frio por aqui, aquele frio gostoso de sair para a rua, tomar vinho quente e ver gente enrolada em cachecóis e ponchos, calçadas em botas e encabeçadas por toucas de lã.

eu e o véio fomos para o arraiá a pé, caminhamos entre praias e vielas, 1 km e meio pela noite estrelada, o som do mar, as ruas quietas, contando histórias, cantarolando gonzaga, rindo de nós e de outros, luvas entre os dedos, toucas nos cabelos.

caminhamos até o pé de serra e chegando lá, as janelas acesas com luzes tímidas e aconchegantes, fogueira num canto, um engenho aqui outro lá, um cenário quase bucólico.

logo que entrei ganhei um coração vermelho e uma caneca de caldo quente e assim eu fiquei.

bebericando uma cachaça, resfriando um vinho quente na caneca, ouvindo um som harmonioso de um trio-tranquilo-tocando-triângulo-sanfona-baião-forró, uma voz clara e gostosa, uma noite quase quieta, uma certa expectativa no ar...gente se olhando, sorrindo, chegando e indo.

dançamos dois pra cá e dois pra lá, mais uma pinga, um quentão...
enluvamos as mão em lãs,
ajeitamos as toucas
nos enrolamos em cachecóis

caminhamos de volta para casa
um pé depois o outro, um pé depois o outro
uma poesia
um cantarolar
uma lua espiando.

foi assim.

Um comentário:

Vanessa Maurer disse...

Que noite maravilhosa!