Não entendo

Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.

Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.

O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.

É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.

Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.


clarice lispector




Um comentário:

Talita Avila disse...

Depois da bonequeira achei uma tecelã e só pude me lembrar das minhas parceiras vistuais...




http://www.releituras.com/i_ana_mcolasanti.asp