desarme-se

atento só para a singeleza de cada momento,
sem expectativa entregue-se.
sair da rotina, pra se jogar em prazer, pra deixar que o outro te guie,
essa coisa da gente querer saber quando começa? que horas termina? quem vai? que roupa devo levar? onde vai terminar?
esse relógio interno ocupando os espaços já mínimos dos desejos, das vontades,
esse dedo em riste,
essa cabeça que nunca se cala!
essa pré-ocupação de não saber pra onde ir, o que vai ouvir, quem vai ver,
essas de só saber que lá vai ter
gente, um pouco de música, lua, poesia, olhares cúmplices
poucos são os que se permitem,
aceitar que a decisão seja tomada internamente? quem pode com isso?
...
vá assim, como você está, passe a mão pela mão de alguém e vá!
eu aprendi morando nesta península a ir, apenas ir
nesta vontade boa do meu corpo e do meu sentimento
aprendi a ter menos para ser mais
e sendo tudo então me cabe,
tudo é:
pláteia, comida, música, conversa, gente espiando pela janela...
palhaço, noite de lua, entrega e riso.


lua na rua








...

se tem picadeiro e arquibancada é circo
se tem palco é teatro
se tem graça e escracho é
teatro-circo-mambembe até o talo!
foi tal e qual a dona bonequiando disse!
e eu? me joguei.






e de novo, Fernando Pessoa...

"Arre estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?"

Um comentário:

patrícia disse...

Tudo de bom, né?...
engenho e circo...
queres mais?!?!?!?!
bjs