Querido diário, o vento sul entrou hoje.
Deve ficar como reza a lenda uns 3 dias
amanheceu cinza, as venezianas batendo, uma areia fina passando por de baixo da porta e entre as frestas um zunido constante do Sr. Vento.
Vamos para cozinha, eu, ele, o fiel e a felina, não abrimos as portas e nem as janelas, ficamos lá no calor do café, na colher com mel e granola, na conversa lenta e tranquila, contando os sonhos que tivemos a pouco.
E lá fora,
entre uma rajada e outra tudo é frio e nervoso
e lá dentro...
entre uma mordida na torrada, um gole no café com leite, um ronronado da gata, um olhar pidão do cão, ficamos.
E lá fora,
vento sul mudando a antena de posição, ranzinza como só ele
levantando folhas
derrubando a canga que secava no varal
arrastando as cadeiras coloridas de praia e sol.
Eu, Sra. ao Sul, hoje não quero saber desse Sr. Vento
No corpo uma malha quente, na mão uma xícara de chá, mais tarde quem sabe? um massa com um copo de vinho, uma meia no pé e um dvd...
E o vento sul vai ficar batendo na minha porta, sozinho ranzinza, mas vai ficar lá fora!

Um comentário:

Vanessa Maurer disse...

Hoje passei o dia ouvindo o vento cantar nas janelas...